Master Of Simplicity

O minimalismo e as relações

Quando as pessoas encaram o minimalismo numa vertente mais profunda do que apenas materialista, surgem análises que nos fazem repensar a vida por completo. Quem é importante na minha vida? Qual a profissão dos meus sonhos? O que eu gosto mesmo de fazer? O que eu preciso para ser plenamente feliz?

Passamos tanto tempo da vida agindo para agradar os outros que quando nos afirmamos passamos por julgamentos estranhos. Ora somos “anti-sociais”, ora estamos nos “afastando” das pessoas. Você já se sentiu sozinho no meio de uma multidão? Tinha tudo e sentiu que tinha nada?

Ao estudarmos as relações pessoais e profissionais que nos rodeiam apercebemo-nos de vários pontos:

– usamos (desperdiçamos) muito tempo útil da nossa vida com conversas que não trazem nada

– a maior parte das pessoas que estão na nossa vida não nos conhecem nem nós a elas

– uma parte das pessoas preocupam-se tanto com elas mesmas que não escutarão nada do que dizes… outras farão muitas perguntas sobre ti porque gostam de fofocar…

– são raras aquelas que cuidarão de ti, se preocuparão contigo e estarão disponíveis para ti do jeito como tu mereces.

Isto não quer dizer que agora você passe a isolar-se. Apenas é necessário ter uma consciência das relações que vivemos e da dedicação e manutenção que fazemos. Eu sou tão grata por aquelas pessoas que apenas “conheço” e me fazem sorrir imenso. Tem algumas que me fazem aprender tanto… Adoro a vivência e a conversa, o conhecimento e a aprendizagem.

Quem eu tenho em minha vida é mais importante do que o que eu tenho nela.

O minimalismo é uma ferramenta perfeita para retirar excessos da nossa vida e enaltecer o que temos de significativo nela. Porém, quanto mais fundo cavamos no nosso interior, mais revelações pessoais encontramos, não só sobre nós mesmos mas sobre tudo e todos aqueles que nos rodeiam.

A minha procura por “meaningful relationships” (relações que têm significado) trouxe-me três consequências:

1ª Passei a cuidar melhor e a estar ainda mais presente de todos aqueles que são muito importantes para mim

2ª Passei a lidar melhor com aquelas relações que, devido a fatores inevitáveis como família, trabalho e outros, fazem parte da minha vida, apesar de não terem uma ligação forte

3ª Passei a não querer usar meu tempo com relações negativas ou que não têm qualquer significado senão aproveitarem-se de algo que eu tenho

Estas consequêcias estão interligadas. A terceira, sem dúvida, que influencia a primeira e vice-versa. Ao aplicar esta filosofia de vida dá-se uma forte mudança visível para quem está “de fora”.

Se estamos cada vez mais dedicados a quem amamos, é bem fácil estarmos rodeados de gente no shopping e não sentir qualquer atração naquele momento. No fundo, o que realmente queremos é passar mais tempo com “aquelas” pessoas. Então o lugar e o momento perdem interesse se estes não forem suficientemente significativos em nossa análise ou não incluírem aqueles a quem queremos dedicar nosso tempo.

O mesmo acontece num simples café ou conversa com uma amiga com a qual já não nos identificamos. Seja porque o assunto é compras ou fofoca.

Assim sendo, imagine-se num serão de amigos ou família, com música, cantoria, risadas e muito bom ambiente! Podem não ser os “melhores amigos” mas o afecto e o amor são únicos. Precisamos desse calor, desse convívio e dessa leveza. Aproveite cada momento de vivência e de experiência!

E por aí, você está dando atenção para aquelas relações significativas na sua vida? Está utilizando o seu tempo como deseja no que diz respeito a sms, emails e outros contactos? Já identificou e fez algo em relação àquelas relações negativas?

6 Responses

  1. Estou num momento desses. Sabe, com os amigos já consegui isso. Mas e quando as relações negativas são com pessoas muito próximas da família? Muito mais difícil. Talvez esse seja um grande momento de transição e libertação pra mim. E esse seu texto tem tudo a ver com o que eu vinha pensando nos últimos tempos.

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