Master Of Simplicity

Grátis! Oba! Mas o quê? Será uma amostra? Um ebook? Um presente?
Afinal o que te fez clicar neste post? Vontade de ler sobre o conceito grátis ou a esperança de receber algo só porque “é grátis”?

Na verdade, o título deste post à muito tempo criado era “o poder da palavra grátis”… e que poder é este que nos faz clicar sem pensar? Segundo o artigo 4 palavras mágicas que aumentam as vendas, a palavra grátis “é um gatilho mental poderoso e uma fonte de excitação irracional”. Estudos revelam que sucessos de venda se dão devido à palavra grátis.

 

Como funciona?

O facto de um produto ou serviço vir acompanhado de algo “grátis” pode influenciar a compra. Basta ser um determinado número de anos de garantia grátis ou um vale promocional grátis…

Por exemplo, há vários anos a Amazon começou a oferecer frete grátis a partir de um valor mínimo em compra. Esta estratégia tornou-se um sucesso para vários países, porém não para a França. Quando tentaram estudar a situação, verificaram que afinal ainda havia uma pequena cobrança no frete para a França. Quando alteraram essa situação para a estratégia previamente planeada, a taxa de sucesso subiu de novo.

Isto confirma o que li algures: a diferença entre $2 e $1 é pequena, mas a diferença entre $1 e “grátis” é enorme.

 

As pessoas deixam de ser 100% racionais quando algo deixa de valer dinheiro…

Já falei em outro artigo que aqui no Canadá trabalhei como chefe do departamento de amostras de uma grande companhia de business cards. Todos os dias tratava de todos os pedidos de amostras, havendo aqui duas secções: os grátis e os pagos. Vamos falar apenas da primeira categoria.

Apesar do website oficial apresentar claramente que as amostras grátis eram enviadas apenas para USA e Canadá, eu continuava recebendo todas as semanas muitos pedidos de outros países utilizando códigos postais falsos para que o formulário do site aceitasse o pedido automático. Lamento revelar que larga percentagem desses pedidos vinham de Portugal, sendo que eu não tinha ligação alguma com esses pedidos, apesar de ser portuguesa. E quase ninguém sabia que eu trabalhava ali.

Não vou entrar em detalhes, mas um dia tivemos uma enchente anormal de pedidos portugueses. O patrão veio ter à minha secretária com o computador na mão, pedindo para eu traduzir a página que ele mostrava. Essa página era um fórum português. Alguém publicara lá o link desta empresa dizendo que enviavam “amostras grátis”. Toda a gente estava eufórica pedindo.

Depois que lhe traduzi a página, o patrão respondeu “já aconteceu no passado uma enchente de pedidos assim vinda de Portugal… que mentalidade é esta? O que leva centenas de pessoas a pedirem algo só porque é grátis? O que faz alguém pedir amostras de business cards só porque sim?“.

Eu não tinha resposta para ele.

Como justificamos uma sociedade consumista? Como argumentamos atitudes com as quais não nos identificamos?

 

Eu gosto da palavra grátis, mas já lá vai o tempo em que baixava mais ebooks do que aqueles que lia.

Nos últimos anos desenvolvi uma consciência sobre o que trago para casa ou para mim. Sem dúvida arrebito os olhos, mas não deixo de me interrogar: “Vou usar? Preciso realmente?”.

Confesso até que sou atenta a promoções e descontos. Mas compro porque preciso ou vale mesmo a pena. Algumas coisas consumimos tanto que compensa bastante! Em outros casos, como determinadas frutas ou vegetais, são por vezes tão caras aqui no Canadá que quando estão mais baratas e com bom aspecto é de aproveitar.

 

Cliquei… onde está o “grátis”?

🙂 Não tenho um ebook grátis nem nenhuma amostra para oferecer… mas sim uma informação que considero valiosa e que certamente vos fará pensar. Cada vez mais acompanho várias pessoas destralhando todo o tipo de “coisas” das suas casas e das suas vidas. Não permita o ciclo vicioso de deixar a tralha entrar de novo.
Selecione o que quer.
Saiba o que precisa
Defina o que procura.

 

Artigo escrito a 18 de Janeiro de 2016 no meu blog Música com Café

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